Pitanga madura

………………………………………………………………………………………………..por Otávio Campos

Quem não conhece Mallu Magalhães, a menina pródiga da música brasileira, que, em 2008, irritou plateias com tchubarubas e papapapapás? Mas, acho que a pergunta que vem a calhar hoje é: quem conhece Mallu Magalhães? Estou falando de música, pois, na verdade, é isso que fica, e não da menina de 19 anos, que namora o cara barbudo daquela banda barbuda, ex-Anna Júlia. Se bem que aqui, acho que o relacionamento com Marcelo Camelo pode ser importante sim. Enfim, onde quero chegar é no último disco de Mallu Magalhães. Pitanga (2011) é um tapa na cara da sociedade vestida de rede globo. Quem conheceu a menina do Tchubaruba e só ficou por aí (porque no disco de 2009 a menina já evoluíra um pouco, com “Shine Yellow”, “Versinho Número Um”, “Make It Easy”, etc), com certeza vai estranhar quando ouvir esse seu novo trabalho. Mallu está madura, em todos os sentidos, tanto fisica, como musicalmente, e parece não mais se importar com o que veiculam dela por aí, como afirma em “Velha e Louca” (faixa de abertura do CD): “Pode falar que eu nem ligo/ Agora amigo, eu tô em outra”. Realmente está em outra. No disco, podemos sentir a clara influência dos sons brasileiros, que estiveram quase de fora dos anteriores. “Sambinha bom”, “Olha só moreno” e “Ô Ana” são uma prova disso. Não que os versos em inglês tenham sido abandonados, mas agora eles vem mais trabalhados e menos pretensiosos, também mesclados com ritmos brazucas. Aí entra o trabalho e a influência de Camelo, um dos produtores de Pitanga. Quem ouviu o último CD do músico e se encantou com os metais quase hermanos, vai perceber que eles estão presentes nessa nova Mallu Magalhães.  To  que Dela, por muitos, foi definido como um disco romântico, com remetente, apesar de a namorada do cantor só dar sua colaboração na linda “Vermelho”,  Pitanga, então, pode ser uma resposta. As canções mais bonitas do CD com certeza são as românticas “Baby, I’m Sure” (“Todo dia a gente tem um ao outro/ Manhã cedo agora é bom de levantar/ Toda dor que me aparece eu te conto/ Você me cura sem sequer notar”) e “In the morning” (“Só pra constar nos registros por aí/ Que todo meu amor é seu/ Só pra contar pra quem quiser ouvir/ Que eu encontrei alguém”). Uma declaração de amor sem medo de ser piegas, revelando uma sinceridade que há muito não ficava exposta. A maturidade vem daí. Mallu Magalhães cresceu, aprendeu a ouvir e a fazer boa música e soube aproveitar ao máximo a influência romântica e musical de seu namorado.

Uma pitanga, quando verde, é de amargar e arrepiar a espinha, mas quando madura, tão laranja que quase vermelha, é suave e por vezes doce. A pitanga da jovem musicista demorou um tempo, mas parece que, enfim, amadureceu, e os que ainda a julgam azeda, com certeza não a provaram nesta época.

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Mallu Magalhães – Pitanga
(Sony Music – 2011)

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