Uma edição. Um colaborador. Um livro

Mais um mês e mais uma edição. Como de praxe, aí vai a lista de livros indicados e comentados  pelos colaboradores de dezembro. Se interessou por algum? Clica no link que a gente pesquisou o melhor preço  na Estante Virtual.
  • Alice Monnerat está lendo  e indica A Carta Roubada e Outras Histórias de Crime e Mistério, de Edgard Allan Poe. “É meu segundo livro do Poe, logo em seguida do primeiro, que além de ter me prendido como há muito um livro não fazia, me conquistou pelo tom psicológico e irônico do terror presente nas histórias. Dá aquela vontade de ler trechos do livro pra todo mundo.”
  • Ondjaki indica O Silêncio Tange o Sino, de Mariana Botelho. “É um livro de estreia muitíssimo bom de uma (nova) poeta brasileira. Poesia simples, muito concentrada mas cheia de força e de vida. Certamente um dos novos nomes da literatura brasileira.”
  • Anita Assis acaba de ler e indica O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. “Um clássico da literatura mundial, denso e sempre atual.”
  • Lucas Viriato indica Sandman, de Neil Gaiman. ” História em quadrinho é muito legal. Neil Gaiman é o cara!”
  • Danilo Lovisi acaba de ler indica Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector. “Quando acabei de ler eu estava em outro lugar que não aqui. Um livro que te move, definitivamente. Um marco na literatura brasileira e na existência de qualquer leitor.”
  • Renan Duarte indica Os Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouack. “O livro é uma viagem por um mundo possível de beleza na simplicidade das coisas; a felicidade na paisagem de uma montanha, na contemplação dos encontros, na festa, nos amigos, na meditação sincera. E, sobretudo, o desprendimento do que nunca foi importante de verdade, embora as pessoas sempre insistem em dizer que são. “
  • Tiago Rattes indica Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. “Desde moleque a mineiridade me perseguia. “Grande Sertão” foi imprescindível na busca dessa identidade, e da compreensão dessa diversidade que é o estado onde nasci e escolhi viver para sempre. A linguagem de Rosa foi fundamental para um exercício de consciência de linguagem em minha prática literária. Os valores culturais e sociais que se estendem ao longo do livro “Deus” “Diabo” “Bem” “mal” aparecem na forma de uma dialética popular, rejeitando os maniqueísmos tão recorrentes nos tempos de hoje. Os personagens complexos serviram para eu comrpeender pessoas, que ao longo de minhas viagens pelo estado, me parecia tão simples, mas que na prática eram esse universo de coisas e vida, que Guimarães Rosa soube tão bem explicar.”
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Sorteio #03: Em alguma parte alguma, de Ferreira Gullar

Finalmente nosso grande sorteio de Natal! Depois de todo o suspense, sortearemos o prêmio Jabuti de Poesia “Em alguma parte alguma”, de Ferreira Gullar, autografado! Saiba um pouco mais sobre o livro clicando aqui.

Para participar é simples. Siga a @Um_Conto e tuite:

“Quero ganhar “Em alguma parte alguma” (Jabuti 2011), do Ferreira Gullar, autografado, que a @Um_Conto está sorteando http://kingo.to/VMx”

Um grande poeta. Um grande livro. Um Jabuti. Um autógrafo. Uma grande chance: participe! O resultado sai no dia de natal, 25 de dezembro!

Boa sorte!

Resultado:

Quem ganhou o livro foi @ehwada

Link do sorteio.

Pitanga madura

………………………………………………………………………………………………..por Otávio Campos

Quem não conhece Mallu Magalhães, a menina pródiga da música brasileira, que, em 2008, irritou plateias com tchubarubas e papapapapás? Mas, acho que a pergunta que vem a calhar hoje é: quem conhece Mallu Magalhães? Estou falando de música, pois, na verdade, é isso que fica, e não da menina de 19 anos, que namora o cara barbudo daquela banda barbuda, ex-Anna Júlia. Se bem que aqui, acho que o relacionamento com Marcelo Camelo pode ser importante sim. Enfim, onde quero chegar é no último disco de Mallu Magalhães. Pitanga (2011) é um tapa na cara da sociedade vestida de rede globo. Quem conheceu a menina do Tchubaruba e só ficou por aí (porque no disco de 2009 a menina já evoluíra um pouco, com “Shine Yellow”, “Versinho Número Um”, “Make It Easy”, etc), com certeza vai estranhar quando ouvir esse seu novo trabalho. Mallu está madura, em todos os sentidos, tanto fisica, como musicalmente, e parece não mais se importar com o que veiculam dela por aí, como afirma em “Velha e Louca” (faixa de abertura do CD): “Pode falar que eu nem ligo/ Agora amigo, eu tô em outra”. Realmente está em outra. No disco, podemos sentir a clara influência dos sons brasileiros, que estiveram quase de fora dos anteriores. “Sambinha bom”, “Olha só moreno” e “Ô Ana” são uma prova disso. Não que os versos em inglês tenham sido abandonados, mas agora eles vem mais trabalhados e menos pretensiosos, também mesclados com ritmos brazucas. Aí entra o trabalho e a influência de Camelo, um dos produtores de Pitanga. Quem ouviu o último CD do músico e se encantou com os metais quase hermanos, vai perceber que eles estão presentes nessa nova Mallu Magalhães.  To  que Dela, por muitos, foi definido como um disco romântico, com remetente, apesar de a namorada do cantor só dar sua colaboração na linda “Vermelho”,  Pitanga, então, pode ser uma resposta. As canções mais bonitas do CD com certeza são as românticas “Baby, I’m Sure” (“Todo dia a gente tem um ao outro/ Manhã cedo agora é bom de levantar/ Toda dor que me aparece eu te conto/ Você me cura sem sequer notar”) e “In the morning” (“Só pra constar nos registros por aí/ Que todo meu amor é seu/ Só pra contar pra quem quiser ouvir/ Que eu encontrei alguém”). Uma declaração de amor sem medo de ser piegas, revelando uma sinceridade que há muito não ficava exposta. A maturidade vem daí. Mallu Magalhães cresceu, aprendeu a ouvir e a fazer boa música e soube aproveitar ao máximo a influência romântica e musical de seu namorado.

Uma pitanga, quando verde, é de amargar e arrepiar a espinha, mas quando madura, tão laranja que quase vermelha, é suave e por vezes doce. A pitanga da jovem musicista demorou um tempo, mas parece que, enfim, amadureceu, e os que ainda a julgam azeda, com certeza não a provaram nesta época.

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Mallu Magalhães – Pitanga
(Sony Music – 2011)

Um Conto – Edição de Dezembro

Dezembro chegou, é. Se daremos presentes? Com certeza (fiquem atentos nos nossos perfis por aí). Se tem edição especial? Meus caros, a edição de dezembro, por si só, é uma edição especial. Uma revista independente – no molde e na distribuição – chegando em sua terceira edição, com ótima receptividade real e virtual, é digna desse adjetivo, não? Pois bem. Confira abaixo os colaboradores de dezembro e pegue logo a sua pra presentear quem você gosta com uma porção portátil de literatura.

ALICE MONNERAT (conto)

Alice  não foge da regra humana de ter um monte de cismas e paranóias e gasta todo seu tempo com elas. O pouco que sobra ela divide em duas faculdades, um belo e robusto namorado e demais burocracias da vida. Se orgulha da sua coleção de soldadinhos em posição de guerrilha na cômoda e de nunca precisar se preocupar em não atingir o número mínimo de linhas. Às vezes, um dia, quem sabe, escreverá no Apanhando no campo de centeio. Acha muito lindo ter um conto na revista Um Conto.

ONDJAKI (poema)

Ndalu de Almeida, mais conhecido por Ondjaki, é um escritor angolano nascido em 1977 que vem ganhando notoriedade internacionalmente. Tem mais de 15 livros publicados, sendo os de maior destaque Bom Dia Camaradas, de 2001; a novela O Assobiador, de 2002; o livro de poesia Há Prendisajens com o Xão, de 2002; o infantil Ynari: A Menina das Cinco Tranças, de 2004, e o mais recente volume poético Materiais para confecção de um espanador de tristezas, de 2009. Em 2010 ganhou o prêmio Jabuti, na categoria juvenil, com AvóDezanove e o Segredo do Soviético. Além das letras, tem experiência com artes plásticas, teatro e cinema, tendo co-dirigido o documentário Oxalá cresçam pitangas – histórias da Luanda, que aborda aspectos de sua cidade natal. Ondjaki mora atualmente no Rio de Janeiro.

ANITA ASSIS (desenho)

Eterna jovem que não se cansa de sonhar. Ela ainda não encontrou um curso, nem um lugar, nem alguém que comportasse todos os seus sonhos e, enquanto não o encontra, continua a procurar. Neste caminho encontrou Um Conto, ou Um Conto a encontrou: que esta porta não mais se feche.

LUCAS VIRIATO (poema)

Lucas Viriato de Medeiros, carioca de 27 anos, é formado em Letras pela PUC-Rio, na habilitação de Formação do Escritor e cursa o mestrado em Literatura Brasileira na mesma universidade. Desde 2006, edita o jornal literário Plástico Bolha, que já publicou centenas de autores, entre novos e consagrados. Em 2007, estreou com Memórias Indianas (Ed. Ibis Libris) livro sobre sua primeira viagem para a Índia. Retorno ao Oriente (Ed.7Letras), livro que deu continuidade ao projeto poético sobre o leste do mundo, foi lançado no final de 2008. Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky – e outras histórias (Ed.7Letras) foi sua estréia na prosa em 2010. Ainda neste ano, organizou a Antologia de prosa Plástico Bolha (Ed. Oito e meio) que reuniu no formato livro os melhores contos do jornal. Também participa do tradicional evento de poesia CEP 20.000. Atualmente mudou-se para a Fenda do Biquíni, no fundo do mar, onde escreve a sua dissertação.

DANILO LOVISI (poema)

Danilo é co-editor da Um Conto e graduando em Letras pela UFJF. Tenta descobrir qual é o som que se escuta dentro de uma Chaleira Muda, e atua esporadicamente como seu porta-voz.  Além da literatura, tem nas artes temporais as que mais lhe atingem, como teatro, cinema e música, está última muito presente – na vida e em seu processo criativo – promovendo colaborações no blog Ok!Annie. Danilo é quieto, gosta de crianças e de ouvir conversas no ônibus. Acredita que quando a humanidade atingir 8 bilhões de habitantes todos serão e terão um par.

RENAN DUARTE (poema)

Renan é graduando em Letras pela UFJF e futuro alguma coisa que ainda não sabe, mas não se preocupa. Finge escrever para não explodir. Acredita nas pessoas, nos encontros, e na literatura como uma fonte enriquecedora da experiência. 22 anos, insatisfeito, e sente saudades. Escreve no Revolucionário de Folga.

TIAGO RATTES (poema)

Tiago Rattes de Andrade nasceu em Pouso Alegre, sul de Minas, mas vive em Juiz de Fora desde os dois anos de idade. Iniciou seus escritos poéticos aos 14 anos, publicando em zines e jornais alternativos da cidade. Em 2008 lançou seu primeiro livro de poesia, A Lápide do Amor e outras poesias com recursos da Lei Murilo Mendes, de Juiz de Fora. No mesmo ano lançou o livro em Itabira, no Inverno Cultural, à convite da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Desde 2008 integra a equipe organizadora do Eco Performances Poéticas, no Espaço Mezcla, em Juiz de Fora. No final de 2010 passou a editar o blog Botecos JF, com o objetivo de misturar literatura e boemia, tratando dos botecos da cidade de Juiz de Fora. Neste mesmo período vem ampliando sua atuação como letrista, com parcerias com músicos da cidade. Começou a publicar seus trabalhos em prosa, através do Tiago Rattes . Atualmente está editando seu próximo livro, ainda sem data para publicação. Tiago é historiador formado pela UFJF, mesma instituição onde tornou-se mestre em Ciências Sociais. Atua como professor do ensino básico e do ensino superior.

Sorteio #02: No silêncio de um show de rock, de Larissa Andrioli

Larissa Andrioli participou da nossa edição de Outubro e está lançando seu primeiro livro, No silêncio de um show de rock (Aquela Editora). Nós temos um exemplar autografado e iremos sorteá-lo para nossos seguidores do twitter, como nosso primeiro presente de Natal. O resultado sai dia 12, um dia antes do lançamento oficial do livro, que será no Brauhaus, em Juiz de Fora, a partir das 19 horas. (Mais detalhes no site da Aquela Editora).

Para participar é simples: Siga a @Um_Conto e tuite:

“Quero ganhar o livro “No silêncio de um show de rock”, da @larissandrioli, que a @Um_conto está sorteando: http://kingo.to/Vl6″

Saiba mais sobre o livro clicando aqui.

Boa sorte!

Resultado:
Quem ganhou o livro foi @line_bessa.
Link do sorteio.

Teaser edição de Dezembro

A terceira edição da revista sai ainda essa semana, e você confere agora o teaser criado para a divulgação, baseado no conto do mês, escrito por Alice Monnerat. A voz é do Sr. Agostinho, e as imagens principais foram filmadas na casa dele.

Uma folha. Uma Ideia. Alguma Literatura. Um Conto de Dezembro:

[vimeo http://vimeo.com/33175810 w=640&h=400]

Las Acacias: un regalo

por Danilo Lovisi

Acacia mangium, nome científico de uma espécie de acácia, amplamente utilizada no comércio de madeiras.

Motosserra. Som de motosserra. Créditos iniciais e o som de motosserra, ensurdecedor. Um frame inerte, belíssimo, de árvores tapando a entrada do sol. E o som de motosserra. Árvores caem. Árvores caem e são decepadas. Som de motosserra. Pedaços são colocados em caminhões. Sons de motores. Sons de motosserra. Caminhões. Vinte caminhões. Buzinas.

É assim o início de Las Acacias, novo filme de Pablo Giorgeli, que conquistou o prêmio Camera D’or do Cannes de 2011. Uma introdução dura e seca e para a apresentação de um personagem com as mesmas características. Rubén é um motorista de caminhão rude e egoísta que, num rotineiro dia de trabalho, é abordado por uma mulher, que carrega uma criança de colo. A mulher diz ter sido enviada pelo chefe de Rubén, que deu-lhe a incumbência de levá-la à Buenos Aires. Sem escolha, ele a leva.

A viagem se inicia. O silêncio entre os dois é tão denso que chega a abafar os sons da estrada, estes que serão os únicos durante todo o filme. Uma relação construída por olhares que se esquivam. Uma relação seca, individualista, mas que, impreterivelmente – como todas as relações humanas – se manifestará de alguma forma. E é só na metade da viagem (do filme), que viemos a conhecer o nome da mulher, Jacinta, e de sua filha, Anahi. A convivência (ainda não tão con-) tem como elo a pequena Anahi, a única ali presente em que a face por si só ainda não é capaz de contar histórias através das marcas, das fendas no rosto. É o tempo que faz com que os olhares parem de se esquivar e os silêncios, entrecortados pelas inocentes intervenções da bebê, findem-se.

Rubén está, na maior parte do tempo, bebendo água. Seu caminhão carrega acácias mortas, secas. Ele próprio assimilou – involuntariamente ou não – essas características. Por que, então, tanta água? Uma recusa a esse estado de seca interna? Talvez. Quanto mais o tempo passa, e mais seus copos e garrafas se mantêm em movimento, a relação com Jacinta se torna mais orgânica, adubada. Uma ligação fluida, inevitável, como água em terra seca. Uma ligação humana, impreterível e inevitavelmente humana. Uma semente que brota do ferro e do couro de uma boleia de caminhão.

Estamos a todo o tempo dentro desse casulo, acompanhando os mil e quinhentos quilômetros de estrada. Somos mais um viajante, escondido, observando de fora através de ângulos que mostram a fotografia realista que uma viagem pode nos dar. Estamos num caminhão-movie, viajando, sim, os mil e quinhentos quilômetros e muito mais, pois iremos para além de Buenos Aires, iremos pra dentro de Rubén, Jacinta e Anahi.

A viagem, mesmo longa, não é tão cansativa quanto parece. Como todo corpo em movimento tende a permanecer em movimento, acontece, depois da última parada, de sentirmos um pesar – físico e emocional – de não estarmos mais ali, viajando. Provando que o bom de uma viagem é a viagem. E percebendo que, no final, las acacias não são para venda, são, na verdade, um presente, un regalo a la sensibilidad.