Um Conto – Edição de Maio

Sinceramente, não temos nem o que introduzir sobre os responsáveis pela nossa oitava edição. Desde autores publicados e premiados, até iniciantes promissores. Nos resta apenas desejar que apreciem essa pequena (e notável!) porção de literatura. E nunca se esqueçam: as edições antigas estão sempre disponíveis para leitura e download aqui.

BRUNA MARIA (conto)

Bruna Maria escreve. Possui algumas publicações na internet (Germina Literatura, O Viés, Macondo Literatura) e impressas (coletânea “Crônico!”, editora Multifoco; e “Escritos de Amor”, Casa do Novo Autor editora). Formada em Letras (UERJ) e mestre em Literatura Portuguesa (UERJ), tem um romance inédito escrito com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente, se aventura em uma nova graduação acadêmica à noite e, de dia, dá aulas de inglês. Quando pode, volta a escrever. Publica seus escritos aqui.

FREDERICO SPADA (poema)

Frederico Spada Silva (1982) é natural de Belo Horizonte, mas vive em Juiz de Fora desde 1990. É Mestre em Estudos Literários pela UFJF e autor de Arqueologias do olhar (Funalfa, 2011).

MAYARA PEIXOTO (poema)

Mayara Peixoto é graduanda em Letras na UFJF, está no 5º período, frustrada com a greve. Ama literatura, línguas estrangeiras, literatura, música, esmaltes, literatura. Um dia irá para Portugal andar pelas ruas em que Fernando Pessoa andava.

PRISCA AGUSTONI (poema)

Prisca Agustoni nasceu em Lugano, na Suíça italiana, onde cresceu. Morou em Genebra por muitos anos, para cursar a Faculdade de Letras e Filosofia. Na cidade de Calvino fez teatro, se abriu para o mundo, publicou seus primeiros textos e fincou raízes. Outras raizes ela transplantou para o Brasil, em Juiz de Fora, onde mora desde 2002. Aqui ela trabalha como tradutora, além de se dedicar à escrita poética e narrativa.

CRISTINA DESOUZA (poema)

Cristina DeSouza é médica radicada nos Estados Unidos, onde é aprendiz de poeta. Escreve também contos e crônicas. Já teve trabalhos seus publicados na Revista Macondo, na Revista Capitu e no Projeto Palavra-Porrada. Participou de uma antologia de contos e crônicas, com a crônica INSETO,  publicada pela Editora Scortecci em 2003. Em 2011 publicou seu primeiro livro de poesia, entitulado “Uns Poucos Versos”. Atualmente, mantém seu blog, o mix-tura.

REINALDO RAMOS (poema)

Reinaldo Ramos nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1978. É professor de Filosofia no ensino médio da rede pública estadual, tem inteligência mediana, pertence à classe média suburbana e é, seguramente, alguém bem pior que você. Da linhagem materna vem o gosto pela atividade docente – apesar de achar as escolas invariavelmente lugares horríveis. Já estudou Cinema, fez mestrado em Bioquímica Médica e foi premiado em um concurso nacional promovido pela Academia Brasileira de Letras em parceria com o Jornal “Folha dirigida” com uma redação sobre os cem anos da morte de Machado de Assis. Participou da coletânea do projeto “Realengo – Poetas pedem paz”, publicada na revista Germina e teve textos publicados no blog Plástico Bolha e no caderno Megazine do jornal O Globo. Em 2011 publicou seu primeiro livro de poesia, “Livro de Mentira” (prefácio de Jorge Tufic e contracapa de Gregório Duvivier) e foi finalista do Prêmio SESC-DF de literatura nas categorias poesia e conto (publicações previstas para o segundo semestre deste ano).

PAULA VASCONCELOS (desenho)

Paula Vasconcelos estuda Arquitetura na Universidade Federal de Juiz de Fora. Também já estudou (um pouco) artes e é superficialmente (por ter estudado pouco) apaixonada por todo tipo de arte que conhece. Já se atreveu a escrever, a fotografar, a pintar e a projetar, mas se sente mais segura nas áreas de desenho e fotografia. Publica diversas de suas fotos em seu perfil no facebook e aqui. Escreve no blog Arquinistas junto com um grupo de colegas de sua sala para divulgar (inform)ações, eventos, e congregar interessados. Não publica seus desenhos, prefere guardá-los para mostrar nas horas certas.

Um Conto Indica: “Conversa de Botas Batidas”, por Cícero

O pessoal do Musicoteca – fantástico blog de música brasileira – organizou, em comemoração aos 15 anos da banda Los Hermanos, a coletânea Re-Trato, composta por releituras de canções dos hermanos elaboradas por inúmeros músicos da nova cena brasileira. Dessa coletânea saiu o belo cover de Cícero para “Conversas de Botas Batidas”, e a Um Conto Indica o simples e delicado vídeo feito para ilustrar a canção, construído com imagens nostálgicas de cartões postais do Rio de Janeiro visitados descompromissadamente pelo próprio Cícero – contando, inclusive, com a participação especial de Drummond declamando seu poema “Memória”. O clipe e o poema você confere, na íntegra, abaixo:

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Carlos Drummond de Andrade – em “Claro Enigma”)

Mixtape de Abril

Você que está chegando hoje pela primeira vez no nosso blog talvez não saiba como são feitas nossas mixtapes. Pois bem: os sete colaboradores de cada edição, além de se apresentarem e indicarem livros, também indicam uma música. Feito isto, juntamos todas elas e montamos uma mixtape, que pode sair de todos os jeitos possíveis. E a nossa fitamista de abril, inclusive, está impecável! Inicia com o belo cover de Cícero para “Conversa de Botas Batidas”, seguido por “Tô”, do mestre Tom Zé, que dá a deixa para o pessoal do Júpiter Maçã entrar com sua “Welcome To The Shade”. Pra iniciar a parte mais rock da fita, nada melhor que a surpreendente “Little Black Submarines”, da dupla americana Black Keys, acompanhada da psicolelicamente incrível “Optimistic” do Radiohead, seguida pela soturna “Love Will Save You”, do Swans. Pra fechar, o free jazz sofisticado e com ares orientais da “The Fakir”, por Carl Jader, abrindo caminho para a inexorável “Nem um dia”, de Djavan, nos incitando para, além de ler um livro num dia frio, também ouvir nossa mixtape de abril. Boa viagem!

Uma edição. Um colaborador. Um livro.

Aí estão os livros indicados pelos nossos colaboradores de abril. Conhece o novo esquema? Não? Então: na capa de cada livro, há um número. Se interessou? Desce no post e você poderá ler o que o colaborador falou sobre ele. Quer muito ler? Clica no título e você será direcionado pro lugar na internet onde ele está com o melhor preço. Boa leitura!

1 – Laura Assis está lendo e indica Uma fração do todo, de Steve Toltz. “Estilo tijolo (653 páginas), Uma fração do todo me parece uma confirmação da tendência que parte dos autores estrangeiros (Toltz é australiano) aclamados pela crítica tem tido a publicar livros muito, muito longos, como no caso de Jonathan Franzen e de alguns livros de David Foster Wallace e Thomas Pynchon. Isso é interessante, porque na maioria das vezes demonstra que há fôlego e uma boa e comprida história a ser contada. E a trama de Uma fração do todo, do tipo que desde o início SUGA o leitor, além de acontecimentos interessantes e descabidos, tem também um tom de narração (em primeira pessoa) meio sacana e autodepreciativo e, ao mesmo tempo, esperto e dinâmico, que não deixa as mais de 600 páginas pesarem.”

2 – Lidiane Lobo indica Inéditos e Dispersos de Ana Cristina Cesar (organizado por Armando Freitas Filho). “[É uma] publicação póstuma que reúne textos pertencentes ao acervo literário dessa “mulher do século XIX disfarçada em século XX” e poeta carioca. Poesia delicadamente visceral, diário intencional e (um grito manso por) correspondência. Meu livro de cabeceira há algum tempo. Simplesmente belo e apaixonante.”

3 – Anderson Pires indica O mestre e margarida, de Mikhail Bulgákov (Ed. Alfaguarra, 2009). “[É um] romance alegórico, publicado em 1966, após trinta anos de circulação clandestina, é composto de duas narrativas paralelas: a chegada do séquito do Diabo a Moscou comunista do século XX, e a condenação de Cristo na Jerusalém antiga. Uma sátira contra as “verdades oficiais” – fossem as do partido do realismo social ou da mitologia cristã -, Bulgákov escreve com inteligência a favor da liberdade de imaginação.”

4 – Adriano Scandolara indica Vício Inerente, de Thomas Pynchon. “É um misto de romance policial com stoner movie e, claro, o realismo histérico pelo qual Pynchon tem feito carreira, com seu conhecimento enciclopédico que engloba tanto a cultura erudita quanto as trívias banais da cultura pop. Ambientado no final dos anos 60, quando a flower power se esfacelava, ele narra a história de um detetive hippie envolvido numa conspiração, que — na medida em que Pynchon manipula o gênero com maestria, criando e desfazendo comicamente tensões e suspenses — se torna cada vez mais confusa e psicodélica. O fato de ser o seu romance mais compreensível faz com que seja um bom ponto inicial para quem quiser conhecer o autor, o que lhe rendeu o apelido de “Pynchon light”, uma definição meio equivocada, pois a comicidade e o absurdo que saltam a vista ocultam, como é recorrente em seus livros, algo de profundamente angustiado e perturbador.”

5 – Alam Arezi indica A Torre Negra, de Stephen King. “A incrível e mística trajetória de Roland Deshain por entre diversos mundos a procura da Torre Negra – a redenção do equilíbrio entre as forças do bem e do mal. Uma narrativa de solidão, obstinação e fé. Roland o pistoleiro,  transgride a realidade acompanhado de seus medos e amores.”

6 – Anna Mancini indica O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro, de Carl Sagan. “Já li algumas vezes e não dá pra cansar. É um dos meus livros favoritos, tanto pelo autor – de quem sou fã – quanto pelo tema, que é fascinante. Nele, Sagan convida o leitor a exercitar o ceticismo e o pensamento racional, expondo a fragilidade de superstições e pseudociências. Merece atenção sua analogia entre a caça às bruxas na Idade Média e as visões modernas de OVNIs, além da cômica história do dragão invisível na garagem. Uma lição de que ciência não é só pra cientistas.”

7 – Hélio Sena indica Meus Verdes Anos, de José Lins do Rego. “O primeiro romance que li. Gostei tanto dele, que decidi que também ia ser escritor. Isso foi há muito, muito tempo… De fato, hoje escrevo, e vez por outra ainda me pego a reler certas passagens desta obra que na verdade são as memórias do grande autor paraibano. É uma obra sensível e linda. Para amar mesmo!”