Cartas para K.

Um chá com Mariana Botelho

Mariana Botelho nasceu no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Em 2010 lançou seu primeiro livro de poemas, O silêncio tange o sino, pela Ateliê Editorial. Desde então, mudou-se para a capital mineira e, no fim do último ano, voltou para o interior, onde divide o tempo cuidando dos filhos, construindo esculturas de cerâmica e trabalhando em dois novos livros. Mariana também, como qualquer ser contemporâneo, tem um perfil no Facebook, e, constantemente, posta em sua página poemas da própria autoria. Os que acompanham a poeta já puderam perceber a presença constante de uma interlocutora, denominada K., para quem são destinadas pequenas cartas. Em uma conversa por Facebook, como não poderia deixar de ser, Mariana nos contou um pouco mais sobre K., nos falou sobre os planos para publicações futuras, da sua relação com o primeiro livro e, é claro, sobre a vida de poeta na rede mundial de computadores.

foto de Ricardo Aleixo

Mariana, quem é K.? 

K., é um lugar. Ela começou como uma sereia de cerâmica que eu não dei conta de terminar por conta de turbulências na vida cotidiana e uma mudança de cidade. Aconteceram muitas coisas e eu precisava de um lugar pra passar por tudo que essas mudanças, geográficas e afetivas, acarretavam. Não pra entender as coisas, mas pra passar por elas com alguma serenidade, ainda que mínima. Então eu transformei K. numa interlocutora. Em cerâmica eu quis retratar uma pessoa específica. Tentei dar a ela os traços dessa pessoa. Mas não consegui e ela saiu com a minha cara, meu nariz, a careca, como eu tinha na época.  Continuar lendo

Uma edição. Um colaborador. Um livro

Mais um mês e mais uma edição. Como de praxe, aí vai a lista de livros indicados e comentados  pelos colaboradores de dezembro. Se interessou por algum? Clica no link que a gente pesquisou o melhor preço  na Estante Virtual.
  • Alice Monnerat está lendo  e indica A Carta Roubada e Outras Histórias de Crime e Mistério, de Edgard Allan Poe. “É meu segundo livro do Poe, logo em seguida do primeiro, que além de ter me prendido como há muito um livro não fazia, me conquistou pelo tom psicológico e irônico do terror presente nas histórias. Dá aquela vontade de ler trechos do livro pra todo mundo.”
  • Ondjaki indica O Silêncio Tange o Sino, de Mariana Botelho. “É um livro de estreia muitíssimo bom de uma (nova) poeta brasileira. Poesia simples, muito concentrada mas cheia de força e de vida. Certamente um dos novos nomes da literatura brasileira.”
  • Anita Assis acaba de ler e indica O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. “Um clássico da literatura mundial, denso e sempre atual.”
  • Lucas Viriato indica Sandman, de Neil Gaiman. ” História em quadrinho é muito legal. Neil Gaiman é o cara!”
  • Danilo Lovisi acaba de ler indica Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector. “Quando acabei de ler eu estava em outro lugar que não aqui. Um livro que te move, definitivamente. Um marco na literatura brasileira e na existência de qualquer leitor.”
  • Renan Duarte indica Os Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouack. “O livro é uma viagem por um mundo possível de beleza na simplicidade das coisas; a felicidade na paisagem de uma montanha, na contemplação dos encontros, na festa, nos amigos, na meditação sincera. E, sobretudo, o desprendimento do que nunca foi importante de verdade, embora as pessoas sempre insistem em dizer que são. “
  • Tiago Rattes indica Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. “Desde moleque a mineiridade me perseguia. “Grande Sertão” foi imprescindível na busca dessa identidade, e da compreensão dessa diversidade que é o estado onde nasci e escolhi viver para sempre. A linguagem de Rosa foi fundamental para um exercício de consciência de linguagem em minha prática literária. Os valores culturais e sociais que se estendem ao longo do livro “Deus” “Diabo” “Bem” “mal” aparecem na forma de uma dialética popular, rejeitando os maniqueísmos tão recorrentes nos tempos de hoje. Os personagens complexos serviram para eu comrpeender pessoas, que ao longo de minhas viagens pelo estado, me parecia tão simples, mas que na prática eram esse universo de coisas e vida, que Guimarães Rosa soube tão bem explicar.”