Um Conto – 16ª edição

Foto: Anelise Freitas

Foto: Anelise Freitas

Nossa décima-sexta edição já está nas ruas e agora vocês conferem um pouco sobre a vida e obra (ui) dos colaboradores desse mês. Temos desde escritos vindos de terras lusitanas à poemas produzidos em contextos nômades, sem contar nos que vieram de cidades mil pelo Brasil (rimou, ui). Além disso, clicando na imagem acima (ou aqui) vocês podem ler a edição na íntegra e compartilhá-la pelas interwebs.

EDSON BUENO DE CAMARGO

edson bueno

Edson Bueno de Camargo – Santo André – SP, 1962, mora  em Mauá – SP. Poeta, pedagogo, fotógrafo extemporâneo e entusiasta de arte-postal.  Publicou: cabalísticos Orpheu – Editora Multifoco – Rio de Janeiro – 2010; De Lembranças & Fórmulas Mágicas, Edições Tigre Azul/ FAC Mauá -2007; O Mapa do Abismo e Outros Poemas, Edições Tigre Azul/ FAC Mauá -2006,  Poemas do Século Passado-1982-2000, participou de algumas antologias poéticas e publicações literárias diversas: Babel Poética, Zunai, Germina, Meiotom, Confraria do Vento,  O Casulo, Celuzlose, entre outras.  http://umalagartadefogo.blogspot.com

MARCUS VIN G

markus

Paulistano, 22 anos, louco por animações vintages e terror

GIL T. SOUSA

Gil T. Sousa (1957) nasceu e reside  em Vila Nova de Gaia e é Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Jornalismo do Porto. Escreveu: poemas (2001) e falso lugar (2004) e água-forte (2007) edições privadas do autor. Nos anos 90 participou em leituras públicas de poesia, 4.ªs-feiras do pinguim café no Porto e na Casa Fernando Pessoa em Lisboa, no âmbito dos encontros promovidos pelo canal de poesia de irc do qual foi um dos fundadores. É autor dos blogues: poesia, falso lugar e exercícios de esquecimento, onde escreve e divulga poesia regularmente desde 2004.

CARLA DIACOV

carla diacov

sou carla diacov. de qualquer forma. não me importa tanto ser. e também vou e volto e babo durante. nasci (09/04/1975) e moro em São Bernardo do Campo e brinquei na praça-dos-meninos. morei a Londrina e ela a mim. fiz teatro e me desfiz. então escrevo e sei que vou, mas volto. de qualquer forma. e gosto tanto de pão de forma com amendocrem. de qualquer forma, que é como eu sou, mas volto. babando.

MIRIANNE S.

mirianne

Mirianne mora e trabalha temporariamente em um navio de cruzeiro. Fica correndo pra lá e pra cá em um buffet, junto de indonesianos, indianos, italianos, brasileiros, etc. Nas raras horas vagas, lê um livro de cabeceira com contos clássicos ingleses até o sono vir. É formada em Psicologia e dona do blog O Céu É Vermelho. Contribuiu com um poema no Coletivo Declame Para Drummond 2012. Gosta de massas.

 ANELISE FREITAS

anelise freitas

Anelise Freitas nasceu na cidade mineira de Lima Duarte. Reside em Juiz de Fora/MG desde 2007 e acumula conhecimento sobre a cidade desde 2004. Publicitária por formação, poeta e graduanda do curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF. Nascida em 87, sob o signo de sagitário, já publicou em periódicos como o Caderno Encontrare, jornal Plástico Bolha e revista Um Conto. Editou e redigiu durante um ano O Jornal, publicação independente, divulgada em Lima Duarte/MG. Em 2011lançou seu primeiro livro Vaca contemplativa em terreno baldio (Aquela Editora), com poemas do blog homônimo;  expôs seus poemas no IV Festival Mulheres no Volante e participou, como convidada, da mesa redonda da  IV Semana de Letras da UFJF, ao lado dos poetas Lucas Viriato e Nicolas Behr. Em 2012 participou da Exposição de Poesias do Dia Internacional das Mulheres, promovida pelo Coletivo Maria Maria/UFJF e ministrou a Oficina de Criação Literária, no V Festival Mulheres no Volante. Desde 2010 é uma das organizadoras do evento ECO – Performances Poéticas, que acontece há cinco anos na cidade de Juiz de Fora/MG, promovendo encontros mensais entre poetas consagrados, novos escritores e o público.

DANILO LOVISI

danilo lovisi

Danilo Lovisi nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1991. Ainda não morreu. É graduando em Letras e coedita o zine/blog literário Um Conto desde meados de 2011. Não tem livros publicados mas costuma fazer, vez ou outra, sua Chaleira Muda falar. Recebe cartas no endereço lovisi.danilo@gmail.com

Esc #15 – dos livros de sebo ou das pessoas dos livros usados

por Juliana Gervason*

É verdade que um livro novo promete uma relação, digamos, mais íntima. É certo, inclusive, que possibilita ao leitor mais voraz de contato, que leve o livro para a cama, que abrace o livro e que, principalmente, cheire o livro sem que lhe tome um sentimento de aversão. Mas um livro novo é carente de história. E não me refiro aqui, é óbvio, à história ficcional que suas páginas prometem. Refiro-me sobretudo à história das histórias de seus leitores antigos.

Que triste é um livro de sebo semi-novo. Não deveria chamar-se semi-novo. Um livro semi-novo é na verdade um livro rejeitado… O que fez seu leitor nunca se interessar por aquela obra? Quais motivos o levaram a se desfazer daquela edição? Por que ele nunca folheou suas páginas, rabiscou suas linhas, possuiu suas folhas? Por que não há marcas de café, dobras de páginas ou objetos perdidos ali dentro?

Os objetos perdidos de um livro de sebo falam-me mais de seu leitor do que meia hora de conversa… O que ele usa para marcar sua leitura? Dobra a orelha do livro, assassinando-o? Utiliza-se de panfletos de rua, cartões postais, marcadores personalizados? E o que fez o leitor esquecer de retirar-se do livro antes de vender?

Mas das marcas de um leitor o que mais me intriga é encontrar dedicatórias nas primeiras páginas. “De João para Maria, com amor…”. o amor acabou-se? O livro registrava um momento que seu dono queria esquecer? Maria não ama mais João? O livro não foi prova de amor/amizade suficiente para justificar sua paragem nas estantes de seu ex dono? Levar o livro para um sebo foi um ato de revolta e desapego que representava, na verdade, a catarse que Maria precisou fazer para esquecer João?

E João se importaria se eu me tornasse a nova dona daquele livro e, indiretamente, daquele amor?

Fosse eu dona de um sebo, pediria para cada cliente que fosse se desfazer de um livro, que escrevesse uma carta para o novo dono. “Desfaço-me deste livro porque…”. E pediria, inclusive, que o ex dono disponibilizasse um endereço para correspondência. Ao novo dono exigiria que enviasse uma carta, em resposta, para o dono anterior. “Comprei seu livro porque…”. Quantas relações literárias criar-se-iam aqui? Humberto vendeu Crime e Castigo porque não gostou da leitura. Isabela compra o livro, lê e envia uma carta a Humberto, contando o quanto gostou do livro e destacando dele o que achou salutar. Quem sabe Isabela não fosse capaz de fazer Humberto reencontrar Dostoiévski? Quem sabe Dostoiévski não fizesse Humberto encontrar Isabela?

Sim… sofro de quimeras literárias… E acredito que os livros usados são seres que devem ser respeitados, amados e acalentados por todas as histórias que carregam: as minhas, as suas, as de João, as de Maria, as de Isabela e as de Humberto também…

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*Juliana Gervason é professora de literatura e doutora em literatura. É amante de livros novos, mas tem uma relação avassaladora com livros usados. Chega a pedir desculpas para os ex donos, quando precisa fazer no livro recém adquirido, algum tipo de marcação. Respeita sobretudo as dedicatórias, apropriando-se clandestinamente das felicidades que não são dela. Gosta da história por trás das histórias dos livros, mas não abre mão de restaurar aqueles cujas marcas temporais insistem em destruir. Para isso, desenvolveu um método infalível de limpeza para recuperar livros usados extremamente velhos…

– Confira as outras colunas da Escoliose de Setembro:

Escoliose – uma coluna #5

FICAR EM CASA

Um papo com Drummond, Ronaldo Correia de Brito, livros vivos, mortos e felicidade clandestina

                                                                                                                                             por Otávio Campos

Abri a porta do armário e estava ela, minha prateleira de livros me olhando. Corri o indicador pela lombada de alguns, mesmo já sabendo qual escolheria… e foi. Afastei os livros dos demais, segurei firme nas mãos e fiquei por um bom tempo parado, olhando a capa – a foto, a logo da editora, a disposição do título e do nome do autor, as cores. O bastante. Já estava preparado para ir mais fundo na relação… e fui. Com a mão esquerda, acariciei de leve a capa e, com a direita, aparei a quarta capa, virando o miolo na direção dos meus olhos. Abri com os polegares. A primeira reação, claro, foi meter o nariz entre as páginas e sugar o cheiro do papel (aproveitando enquanto o ministério público não caracteriza tal ato como vício prejudicial à saúde). Deixei ventar algumas páginas até que os olhos parassem em algumas linhas e seriam elas o prato de entrada. Caso meu paladar concordasse, devoraria o livro ainda hoje. “Gosto de meias finas, mas é preciso cuidado com as unhas para não puxar os fios. Adoro batom vermelho, peruca loura, sandálias altas.”

O ostracismo, o ócio criativo, a procrastinação com as coisas simples. Nenhum compromisso me esperando lá fora e eu e o quarto nos tornando uma coisa só. Infelizmente, o prazer de não fazer nada é algo que me deixa culpado e a simples noção de que estou desocupado, ou pior, desacompanhado, faz com que eu surte. Hoje, a primeira coisa que fiz quando me dei conta dessa minha condição foi abrir um exemplar de A bolsa e a vida que tinha sobre a mesa. Sem métodos, caí logo na crônica “Ficar em casa” – uma terapia.

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Escoliose – uma coluna #2

O SOM DO TEXTO QUE LATEJA NO SILÊNCIO

Ou sobre butecos, jukeboxes e literatura

por Danilo Lovisi

Próximo à minha casa existem três bares. Durante todo o tempo que vivi aqui (vim com 7, portanto, 13 anos) convivi “bem” com todas as consequências de se viver próximo a um bar. No meu caso, não bares, mas três butecos. E as consequências são várias: desde bêbados cativos da esquina da minha rua (minha casa é a 1, na esquina, portanto, minha porta) que me viram crescer e eu os vi (e vejo) definhar com os anos, até as brigas e festas pela madrugada. E as músicas. Ah, as músicas! Posso me dizer conhecedor de grande parte da produção musical do circuito sertanejo-brega-funk-legião-music da última década graças aos carros de som dos frequentadores e das jukeboxes cada vez mais (e mais!) altas. E é sobre uma dessas máquinas, e um desses bares (o mais novo) que começarei a falar, mas não só isso. Entrará aí o ato de ler diante, perante, durante, e constante o som trepidante e insuportável da mais nova jukebox do bar do Bené.

Você, ser humano contemporâneo, já deve ter percebido que nosso mundo está cada vez menos silencioso. Os motivos para esse comportamento podem ser – e são – vários, e não será hoje que irei discorrer sobre isso. Mas um deles, penso, pode ser por algo que o silêncio impulsiona: olhar, pensar e ouvir nós mesmos. E isso é, convenhamos, incômodo em certos momentos. Mas ainda assim não falarei sobre isso hoje. Falarei, portanto, dos momentos nos quais a literatura foi capaz de impulsionar em mim, em circunstâncias várias, esse impulso que promove o silêncio, ou o som do texto. Continuar lendo

Escoliose – uma coluna

O MUNDO É MUITO CURTO PARA SER PEQUENO
SOBRE LITERATURA, DESENTENDIMENTOS E CHACAL VENDENDO ‘UM CONTO’

 por Otávio Campos

Vender literatura. Acho horrível essa denominação, mas é isso que fazemos. Tentamos fugir do mercado, mas acabamos criando outro paralelo. Fugimos sim, das grandes editoras, da confusão e imposição mercadológica, porém o ato de montar uma banquinha e oferecer um produto é criar um meio de distribuição alicerçado no capital alheio, no interesse de terceiros e no meu próprio poder de convencimento, de mostrar que a revista é boa, que os poemas são de qualidade e que, de certa forta, causarão um deslocamento na vida das pessoas.

Fomos convidados a montar um estande e vender nosso zine num evento em Leopoldina (Minas Gerais). Já tinha em mente que passaria o dia inteiro sentado em uma cadeira e venderia dez exemplares, no máximo, sem contar que iria ter de repetir inúmeras vezes o discurso de que somos uma revista independente, seguindo o modelo colaborativo de produção e distribuição, sem amarras e sem depender do paradoxal “mercado”. Sabia também que ouviria diversas coisas interessantes, desde absurdos desaforos até as palavras mais enaltecedoras que alguém pode ouvir (é sempre assim, já estou me acostumando). E lá fui eu. E, como imaginava, dessa vez não foi diferente. Porém o discurso de um comprador me despertou grande atenção (para não dizer apenas tensão).

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