Um baião de muitas mãos

Laura Assis entrevista Fabrícia Valle

A Um Conto continua com sua série de poeta-entrevista-poeta. Neste número a produtora editorial Laura Assis, autora de Depois de rasgar os mapas, conversa com a poeta e musicista Fabrícia Valle por conta do recente lançamento de Baião de Uma (Aquela Editora, 2014). O ritmo do poema e o ritmo musical possuem uma íntima relação, tanto pelo “salto mortal” necessário para se entrar no reindo de ambos, de acordo com Octavio Paz, quanto na constituição primeira e característica da célula ritimica, que impede uma desassociação entre música e poesia. Nesta conversa, Fabrícia toca em questões semelhantes, além de discorrer sobre uma suposta cena poética atual, o processo de produção do seu livro e, é claro, sobre a importância do livro físico nos dias de hoje.

Fotografia de Felipe Saleme

Fabrícia, apesar de você ser graduada, especialista e mestre em Letras, muita gente te conhece como musicista. Você se considera poeta desde sempre? Sempre escreveu poesia? E no seu trabalho de criação, as duas linguagens – música e literatura – se comunicam de alguma maneira?

Tenho muito orgulho de ter me formado academicamente em Letras, sobretudo, por durante o período na Faculdade de Letras da UFJF, ter bebido da literatura e suas possibilidades de diálogo com linguagens artísticas diversas e plurais, como a dança, artes plásticas e a música, por exemplo. Entretanto, nosso processo de formação se dá por outras vias também, que não somente as institucionalizadas, como numa roda de conversa, oficinas de formação e afins. Ou seja, de maneiras de racionalização e sistematização por muitas vezes não tão lineares quanto a uma graduação. E, enquanto musicista popular, minha formação veio acontecendo assim, de maneira prática até me ocorrer o desejo de cursar Percussão Popular na Bituca – Universidade da Música Popular de Barbacena, Grupo Ponto de Partida. Lá pude ter contato com a dimensão profissional do tocar, da vida artística e me trouxe experiência nesse sentido. Mas entre esses percursos existia o desejo e a curiosidade de pesquisa e uma vontade de fazer algo diferente de “se dar bem na vida”. E, nesse sentido, se pensarmos na dimensão performática e contra-ideológica dessa escolha, acho que posso me considerar “sempre” poeta (no sentido romântico do termo), uma vez que, poesia é vida e seus modos de estar e operar com ela. Escrevo desde minha adolescência e jamais pensava em publicar até te mostrar os textos. A poesia sempre fez parte da minha vida,dos livros aos encontros com amigos, assim como a música. Agora, do ponto de vista do diálogo entre as duas linguagens, arriscaria dizer que fundi-las não é uma busca da escrita que se estabelece a partir de mim… isso acaba acontecendo… e é tudo literatura, só não vale qualquer coisa!

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Lançamento: Um Conto 20

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Estaremos, na próxima sexta-feira, 22 de agosto, lançando nossa edição número 20 no Eco – Performances Poéticas.

A  Um Conto – 20 tem poemas de Bruna Werneck, Ernesto von Artixzffski, Luca Argel, Patrícia Lino e Paulo Henriques Britto. Conto de Daniela Lima e ilustrações de Marianna Arcuri.

Se você é de Juiz de Fora ou das redondezas, pode adquirir um exemplar no Eco – Performances Poéticas, no Museu de Arte Murilo Mendes, a partir das 20h00. Nessa edição do evento contaremos com a presença dos poetas Anderson Pires da Silva, Edimilson de Almeida Pereira, Fabrícia Valle (lançando Baião de uma) e Paulo Henriques Britto, lendo seus textos.

A entrada é gratuita e o microfone é aberto.

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Link para o evento no Facebook.

Um Conto – Um Ano [Outubro]

Há um ano nascia um dos projetos literários mais interessantes dos últimos tempos (cof cof). Para comemorar essa data tão importante, convidamos seis colaboradores de peso para integrarem essa edição mais que especial, a de número treze. Confira abaixo quem são eles.

ALEXANDRE FARIA

Alexandre Faria é poeta e professor de literatura. Autor de Anacrônicas (7Letras, 2005) e Lágrima palhaça (Aquela, 2012), e editor do site www.textototerritorio.pro.br

ANNA MANCINI

Anna Mancini já desenhou bonequinhos de palito, projetos arquitetônicos, anúncios de jornal e hoje é ilustradora freelancer. Trabalha com aquarela, nanquim, lápis de cor e computação gráfica. Estuda Comunicação Social na UFJF e, além do desenho, é apaixonada por fotografia, jornalismo e ciência. Publica seus desenhos aqui e fotografias aqui.

ALICE SANT’ANNA

Alice Sant’Anna nasceu em 1988, no Rio. Em 2008, lançou seu primeiro livro de poesia, Dobradura (7 Letras). No mês passado, lançou, em parceria com Armando Freitas Filho, a plaquete Pingue-Pongue, numa edição limitada, numerada e assinada.

 ANDRÉ MONTEIRO

André Monteiro é homo lattes e homo ludens. Com a máscara do primeiro é proletário da cognição: doutor e pós-doutor em Estudos da Literatura pela PUC-Rio, professor de literatura da Universidade Federal de Juiz de Fora (FALE/Dep. de Letras). Publicou os livros A ruptura do escorpião – Torquato Neto e o mito de marginalidade e Ossos do Ócio. Como homo ludens, busca criar e se deixar criar por afetos alegres. Na corda bamba, entre acasos e constelações, as duas máscaras, simultaneamente, lhe caem muito bem.

EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA

Edimilson de Almeida Pereira, poeta, ensaísta, professor da Faculdade de Letras da UFJF, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1963. Publicou, dentre outros, os livros Homeless (poesia, 2010) e Malungos na escola: questões sobre culturas afrodescendentes e educação (ensaio, 2007).

MARCOS VISNADI

Marcos Visnadi tem 27 anos e mora em São Paulo, onde trabalha como revisor de textos. Escreveu o livro de contos Atlas, ainda não impresso, mas disponível para leitura. Participa do coletivo editorial Chão da Feira e mantém um blog pessoal.
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O VÍDEO:
Além dessa gente linda, convidamos também os antigos colaboradores para participarem da nossa comemoração de Um Ano. Alguns atenderam nosso pedido e enviaram vídeos recitando os poemas/contos que foram publicados durante esses doze meses. O resultado você confere abaixo:

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Um Conto Indica: Banda Matilda

Matilda é uma banda mineira formada por quatro mulheres, Juliana Stanzani, Bia Nascimento, Fabrícia Valle e Amanda Martins. Detentoras de um trabalho totalmente autoral, o grupo é responsável por arranjos capazes de remeter às células rítmicas tradicionais do Brasil numa roupagem acessível, contemporânea e sonoramente universal. Em três anos de ativa atuação no cenário musical mineiro, a Banda Matilda apresenta-se nas principais casas de Juiz de Fora, sua cidade de origem e residência, carregando em seu currículo participações em projetos de destacada relevância

Sob a memória grandiosa da tradição da canção brasileira, Matilda busca expressar-se através de letras, melodias e arranjos cuidadosos, pensados pela mulher brasileira contemporânea e globalizada que, com o olhar em mil lugares, consegue manter os pés firmes no chão. A Banda Matilda acredita na música autoral, feita a mão; expressão única de um grupo, tradução de anseios, ansiedades e desejos comuns ao humano, sendo, portanto, provocadora de inquietações capazes de despertar a cumplicidade entre a arte e o público, e a adesão completa do ouvinte à musicalidade proposta. Assim sendo, o grupo e seu repertório abarcam questões universais de identidade e representação cultural reunindo quatro vozes femininas em uma perspectiva consciente e engajada do fazer artístico.

A crença no poder sensibilizador e inquietante das canções que tece, leva a Banda Matilda à busca da difusão de seu trabalho. Em 2011, contempladas pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura de Juiz de Fora, e sob a direção do percussionista e produtor musical Gustavo Lira, a Banda deu início à produção de seu primeiro álbum, “Patuá”, que será lançado em Novembro de 2012 no Teatro Pró-Música em Juiz de Fora. De tal modo, Matilda aposta na parceria com o poder público e privado, em iniciativas que agreguem música e público, artista e plateia, objetivando tornar o produto cultural acessível a todos. Então, para ajudar as meninas é bem simples: clique aqui e colabore com o que puder. Abaixo você confere um belo vídeo feito para a campanha.

Clicando aqui, vocês podem ouvir algumas canções no MySpace. E aqui, podem visitar o site da banda. Matildem-se!

[Fonte: site da banda]