Uma edição. Um colaborador. Um livro.

Aí estão os livros indicados pelos nossos colaboradores de abril. Conhece o novo esquema? Não? Então: na capa de cada livro, há um número. Se interessou? Desce no post e você poderá ler o que o colaborador falou sobre ele. Quer muito ler? Clica no título e você será direcionado pro lugar na internet onde ele está com o melhor preço. Boa leitura!

1 – Laura Assis está lendo e indica Uma fração do todo, de Steve Toltz. “Estilo tijolo (653 páginas), Uma fração do todo me parece uma confirmação da tendência que parte dos autores estrangeiros (Toltz é australiano) aclamados pela crítica tem tido a publicar livros muito, muito longos, como no caso de Jonathan Franzen e de alguns livros de David Foster Wallace e Thomas Pynchon. Isso é interessante, porque na maioria das vezes demonstra que há fôlego e uma boa e comprida história a ser contada. E a trama de Uma fração do todo, do tipo que desde o início SUGA o leitor, além de acontecimentos interessantes e descabidos, tem também um tom de narração (em primeira pessoa) meio sacana e autodepreciativo e, ao mesmo tempo, esperto e dinâmico, que não deixa as mais de 600 páginas pesarem.”

2 – Lidiane Lobo indica Inéditos e Dispersos de Ana Cristina Cesar (organizado por Armando Freitas Filho). “[É uma] publicação póstuma que reúne textos pertencentes ao acervo literário dessa “mulher do século XIX disfarçada em século XX” e poeta carioca. Poesia delicadamente visceral, diário intencional e (um grito manso por) correspondência. Meu livro de cabeceira há algum tempo. Simplesmente belo e apaixonante.”

3 – Anderson Pires indica O mestre e margarida, de Mikhail Bulgákov (Ed. Alfaguarra, 2009). “[É um] romance alegórico, publicado em 1966, após trinta anos de circulação clandestina, é composto de duas narrativas paralelas: a chegada do séquito do Diabo a Moscou comunista do século XX, e a condenação de Cristo na Jerusalém antiga. Uma sátira contra as “verdades oficiais” – fossem as do partido do realismo social ou da mitologia cristã -, Bulgákov escreve com inteligência a favor da liberdade de imaginação.”

4 – Adriano Scandolara indica Vício Inerente, de Thomas Pynchon. “É um misto de romance policial com stoner movie e, claro, o realismo histérico pelo qual Pynchon tem feito carreira, com seu conhecimento enciclopédico que engloba tanto a cultura erudita quanto as trívias banais da cultura pop. Ambientado no final dos anos 60, quando a flower power se esfacelava, ele narra a história de um detetive hippie envolvido numa conspiração, que — na medida em que Pynchon manipula o gênero com maestria, criando e desfazendo comicamente tensões e suspenses — se torna cada vez mais confusa e psicodélica. O fato de ser o seu romance mais compreensível faz com que seja um bom ponto inicial para quem quiser conhecer o autor, o que lhe rendeu o apelido de “Pynchon light”, uma definição meio equivocada, pois a comicidade e o absurdo que saltam a vista ocultam, como é recorrente em seus livros, algo de profundamente angustiado e perturbador.”

5 – Alam Arezi indica A Torre Negra, de Stephen King. “A incrível e mística trajetória de Roland Deshain por entre diversos mundos a procura da Torre Negra – a redenção do equilíbrio entre as forças do bem e do mal. Uma narrativa de solidão, obstinação e fé. Roland o pistoleiro,  transgride a realidade acompanhado de seus medos e amores.”

6 – Anna Mancini indica O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro, de Carl Sagan. “Já li algumas vezes e não dá pra cansar. É um dos meus livros favoritos, tanto pelo autor – de quem sou fã – quanto pelo tema, que é fascinante. Nele, Sagan convida o leitor a exercitar o ceticismo e o pensamento racional, expondo a fragilidade de superstições e pseudociências. Merece atenção sua analogia entre a caça às bruxas na Idade Média e as visões modernas de OVNIs, além da cômica história do dragão invisível na garagem. Uma lição de que ciência não é só pra cientistas.”

7 – Hélio Sena indica Meus Verdes Anos, de José Lins do Rego. “O primeiro romance que li. Gostei tanto dele, que decidi que também ia ser escritor. Isso foi há muito, muito tempo… De fato, hoje escrevo, e vez por outra ainda me pego a reler certas passagens desta obra que na verdade são as memórias do grande autor paraibano. É uma obra sensível e linda. Para amar mesmo!”

Um Conto Indica: Bruta Aventura em Versos

A Um Conto Indica o documentário Bruta Aventura em Versos (Letícia Simões, 2011), que busca, de forma delicadamente visceral, captar, através de imagens e depoimentos, a poesia original, pulsante e marcante de Ana Cristina César. Perpassando pela apropriação de sua poesia por outros artistas, o longa documental consegue produzir um panorama íntimo, bem elaborado e – sem flertar com o pleonasmo – extremamente poético da vida e da obra literária de Ana C..

Uma edição. Um colaborador. Um livro

Aproveite o tempo livre das férias e acrescente mais alguns desses livros à sua lista. Todos foram indicados pelos nossos colaboradores de Janeiro. E, caso tenha gostado de algum, é só clicar nos títulos que o link irá direcioná-lo ao melhor preço no Estante Virtual.

  • Tassiana Frank indica Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar. “Esse é com certeza o melhor livro que eu li no ano passado. Cortázar consegue brincar com a nossa imaginação criando um labirinto de infitas interpretações sem um unico fim.”
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  • Rubens da Cunha indica Estar Sendo. Ter Sido, de Hilda Hilst. “O livro que estudei na minha tese de mestrado. O último livro de Hilda Hilst, aquele que confirmou completamente a minha paixão por essa escritora. Quanto ao livro, trata-se de uma espécie de acerto de contas, ou de resumo, da obra de Hilda. Todos os elementos que compuseram a sua obra estão presentes nesse livro: a poesia, o erotismo, a obscenidade, o grotesco, o choque entre o profano e o sagrado.”
  • Sérgio Bernardo está lendo e indica A Duração do Dia, de Adélia Prado. “[estou lendo] em doses homeopáticas, como faço com todo livro de poesia. Apesar de premiado pela Biblioteca Nacional como o melhor no gênero em 2010, não estou achando o conjunto de poemas mais feliz da autora. Mas tem belezas como essa: ‘Tenho natureza triste, comi sal de lágrimas no leite de minha mãe’.”
  • George Vallestero está lendo e indica A Teus Pés da poetisa brasileira Ana Cristina Cesar. “É o último livro de Ana, e único publicado por uma editora. Reúne os três livros anteriores de edição independente: Luvas de Pelica, Correspondência Completa e Cenas de Abril. Retrata com dor e elegância as vivências urbanas e as impressões cotidianas de uma poeta ao mesmo tempo densa e delicada.”
  • Cláudio Rosa indica Espelhos e Fumaças de Neil Gaiman (Deuses AmericanosLugar Nenhum, Coraline e do cultuado quadrinho Sandman). “Livro de contos de fantasia onde Gaiman mostra todo o seu domínio em contos que parecem sair de uma uma conversa que podemos ter com qualquer amigo ou com desconhecidos que encontramos a qualquer momento e ambientados nas mais tradicionais estórias conhecidas do Reino Unido.”
  • Marco Paulo indica Frankenstein, de Mary Shelley. “Um clássico que nunca vai morrer. Como não criar uma simpátia por um ser que, embora horrível, só quer ser considerado normal e aceito pelas pessoas?”.