Ana Hatherly

Ana Hatherly é uma poeta e artista plástica nascida no Porto em 1929. É uma das teorizadoras do movimento da Poesia Experimental Portuguesa, iniciado nos anos 60, em Lisboa. Começou sua carreira literária em 1958, e atualmente possui uma vasta obra poética, traduzida para diversas línguas dentro do continente europeu. Dentre seus livros, destacamos Fibrilações, que foi publicado pela primeira vez em 2004, em uma tiragem não-comercial de 100 exemplares numerados. Em 2005 a Quimera lançou uma versão comercial, em edição bilíngue, com tradução para o castelhano. Da publicação, retiramos os poemas abaixo:

O espelho partiu
a moldura ficou
Agora vemo-nos
furiosamente

*

Meu coração e eu
vivemos juntos
mas não lado a lado
e nunca nos vemos
O sangue é um acordo vivo
que nos ata

*

O desejo é uma chama
que insistentemente chama:
A tela de Penélope
surge de seus dedos mudos

*

Há palavras
que só vivem de noite
Só falam surdamente
sem lábios

*

A palavra vem
e depois vai
Em tudo sangra
o signo da ausência

*

Viaja sem qualquer bagagem:
Entre o que te salva
e o que te mata
nada substitui a aventura

—-

No vídeo abaixo, José Maria Alves lê  “O vermelho por dentro”, poema de Eros frenético (Moraes Editores, 1968) :

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