Indicações literárias #15: colaboradores de dezembro

dicas1. Luiz Coelho indica Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño: “Dos livros de ficção que li nos últimos tempos, esse é, sem dúvida alguma, aquele que mais tem me ocupado e levado à releitura. Trata-se de uma narrativa ficcional densa, experimental e que, ao mesmo tempo, um interessante retrato sobre os poetas latinoamericanos, do meio pro fim do último século, que tiveram sua atividade marcada pelas vanguardas históricas, sobretudo por seu fracasso, na medida em que levaram adiante o intuito de constituírem movimentos de neovanguarda. Para além dessa questão histórica, por assim dizer, o livro leva adiante interessantes experimentos narrativos que não impedem que o relato seja saboroso para um leitor desavisado.”

2. Otávio Campos indica Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera: “Talvez o livro mais hype dessa última temporada, mas nem por isso perde o seu valor. Muito foi falado sobre e muitos mitos foram criados em volta dele. Não se torna uma leitura excepcional como se espera pelo título, pela Granta, ou pelas promessas das resenhas já publicadas, mas Galera não deixa a desejar. Porém, é importante deixar claro que é Galera, e não passa disso (não que isso seja uma característica negativa).”

 3. Daniela Delias indica Tambores pra N’Zinga, de Nina Rizzi. “Conheci a poesia de Nina em 2010, quando comecei a acompanhar o blog “Ellenismos”, de sua autoria. Nina, em minha opinião, é um dos maiores nomes da poesia brasileira contemporânea. A força e a delicadeza de sua poética andam de mãos dadas, e podem ser lidas/vistas/sentidas em poemas como o belíssimo bachiana em dois movimentos pra villa-lobos: ‘já volto, vou me inexistir/ no peito, aquela coisa de moer cana’.”

4. André Capilé indica Subúrbio, de Tiago Rattes: “não exatamente um livro – e nem livreto é. tampouco, no exacto do termo, uma plaqueta. peça eletrônica – compartilhável – flexível no que cito, aqui, em boa casa. aberto às alternativas, o alternativo: a variante da peça do poético: ready made caboclo: desvio na plataforma. entortar suportes: aguenta, já digo, melhor. e mais: tenho acompanhado, com gosto, a performance, aberta, de Tiago. a voz, atenta, de Rattes. as mudanças de tom. as variantes nas estâncias, no que digo: não há nenhuma morada que, de certo, sirva só de abrigo. aponto ao Subúrbio, que me dirijo situado: concentração no escopo; e do escopo, o corpo/a rua: “o meio-fio circunda as curvas / das ruas morenas”. parece, mas não é, cor local: ginga: coleio de anfíbracos. o timing da esquina: não só a rua, mas a observação mediada da intimidade das casas baixas: “para mulher infiel / filho ingrato / vizinho otário / amor perdido / prazer e fé. /USE EXU ®”. tanto da música, quanto o ruído dos domingos: “instala, a liturgia / da sacra-batucada” – a Cartolografia, para citar Oswaldo; migué no TransBlanc, para citar concretos e Paz. o assento dos santos, nossos acentos: nós – os todos – que viemos não a nado, para tudo: “somos os pretos / que não aceitam / a arbitrariedade / das sirenes / e dos silêncios”. Subúrbio é Tiago Rattes, Subúrbio sou eu, Subúrbio é nóis!”

5. Gabriel Resende dos Santos Leo Chioda indicam Poemas, de Adonis. Gabriel diz “[que Adonis é um] poeta maravilhoso que levou tempo para ganhar uma edição à altura no Brasil. A antologia cobre boa parte de sua poesia, indo dos textos escritos nos anos 50 aos mais recentes. Recomendo a quem desejar uma boa taça de fascínio.” Já Leo aponta “[que o poeta é um] ícone da revolução poética moderna, transita entre o mundo árabe e a Nova York enquanto tumba. Entre a realidade da areia e o imaginário dos espelhos. As árvores, nos poemas de Adonis, são estilhaços de magia. O livro encanta todo e qualquer leitor que se propõe a transitar entre a crítica do mundo e os segredos dos homens. São poemas eternos. O livro é um guia pelas florestas de sentidos. Daquilo que projetamos e refletimos. Daquilo que é exílio e espírito.”

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Um comentário em “Indicações literárias #15: colaboradores de dezembro

  1. Alex disse:

    O comentário do Otávio é o melhor! haha 😉

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