Esc #24 – Cidade, city, cité: imperativos e deslocamentos.

ou “while we sleep I know the streets get rearrenged”.você pode me ver se você quiserpor Danilo Lovisi.

Por viver na cidade, penso muito nela. Talvez até concorde, com ressalvas, com aquela teoria de que o meio influencia o ser, seja fazendo-o mais próximo (do meio) ou um total oposto. Enfim. Sei que percebi, há um tempo, que não estou na cidade, mas ela, sim, está em mim, tanto que a metáfora dela como um corpo é a que mais me agrada (e instiga). A imagem da cidade-corpo seria comparar as ruas com o sistema circulatório (veias, artérias) e respiratório, os órgãos vitais com as construções… Vitais e, bem, as associações são várias e de fácil correlação.

Acontece que por viver na cidade e pensar nela, seja como local ou símbolo, passo a procurar na sua manifestação física (feita, é claro, por nós, mas não tão controlada assim), acabo procurando (e encontrando) cidades invisíveis (alô, Calvino). Acabo percebendo, além disso, o quão ela nos controla (mas não somos nós que a construímos?) e limita os caminhos. Ela dá ordens: pare, olhe, escute e obedeça. E obedecemos. Temos (temos?) que obedecer. A ordem vem pela palavra, mas uma palavra-imagem: dos outdoors às silhuetas luminosas dos semáforos somos sempre direcionados, conduzidos. Mas encontramos fissuras. Válvulas de escape, escafandros que vestimos para conseguir andar (e viver) nesses caminhos concretos (concretos) que, embora abertos, sufocam, afogam.

São nos muros – talvez o símbolo maior de cerceamento – que abrimos as brechas, os cortes. Usamos da própria imagem-palavra para pausar ou redirecionar a condução que não para. É, sim, um outro tipo de ordem, são quase sempre imperativas as imagens-palavra, mas ela (a cidade) é assim. Usamos, então, dos mesmos elementos dela para confundir e trocar os focos, as direções, seja

barra funda, sp

abrindo possibilidades de uso,

bauru, sp

reproduzindo a paisagem para desconstruir a paisagem,

diluindo a ordem

diluindo a ordem,

instigando

instigando,

sao jose do rio preto, sp

se fazendo entender, porra!

fazendo rir (ou não)

fazendo rir (ou não),

criando referências para deslocar os sujeitos

criando referências para deslocar os sujeitos,

ou dando possibilidades.

ou dando possibilidades.

E cantamos, também. Seja reconhecendo que “O banco, o asfalto, a moto, a britadeira/ Fumaça de carro invade a casa inteira” e que “Algum jeito leve você vai ter que dar.

Ou percebendo a efemeridade da urbe, da flexibilidade (até mesmo do concreto) que se constrói para logo mudar, quebrar. Porque “this town’s so strange, they built it to change/ And while we sleep we know the streets get rearranged“.

A reflexão é extensa e perecível. Esses apontamentos já estão se diluindo pelo tempo, pela chuva,  por um balde de cal no muro, um fechar da aba do brownser, um stop no player. As ruas continuam mudando de lugar enquanto dormimos e nós continuamos mudando de ruas enquanto acordados. É a cidade/city/cité.

[P.S.: O crédito de todas as imagens desse post vai para o necessário olheosmuros]

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