#Esc 18 – Sobre sede entre montanhas

ou Pobre daqueles que a lagrima não tocou a face quando a arte toca o coração

por  Tassiana Frank  

Essa foi a primeira coisa que me veio à cabeça depois de ver um céu repleto de nuvens inconstantes entre morros e montanhas, entre aqueles que nunca viram o mar e esses todos que são filhos da terra, dos vales e que a força resume em si toda a brasilidade de raiz, que todos procuram. Essa originalidade que vem do verdadeiro pedaço do Brasil, que só se conhece conhecendo Minas Gerais. Entre as ladeiras da vida, encontra-se o carioca que escolheu ser o mais legítimo dos mineiros e que como um peixe que vive imerso em água e tem sede. Esse que vive em música, tem sede de novos acordes: Milton Nascimento.

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de encontrar
Eu queria ser feliz
Invento o mar

Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar (Cais)

Esse que fará 70 anos sexta-feira dia 26 de outubro, possui uma da vozes mais bonitas que esse mundo já ouviu. E, apesar de ter a errônea concepção de que Pietá era meu dvd favorito de Bituca, descobri A Sede do Peixe – um especial exibido na Multishow e na HBO que virou dvd. Esse que possui participações como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lô Borges, Clube da Esquina, Nana Caymmi, Alaíde Costa, Carlinhos Brown e tantos outros, é tradução de emoção-paz. Um acalento que conforta a alma, como inverno compartilhado com quem se ama, chocolate quente e cobertor.

A fotografia muito bem dirigida, o clima acolhedor proporcionado pela posição das câmeras, a simplicidade de quem com muita sabedoria divaga sobre o viver. Essa coluna foi escrita como apologia à Sede do Peixe, porque esse sentimento não se traduz, se sente em vozes e acordes, imagens e percepções.

Para o que não tem mais razão
A calma do louco ensinou
A dizer nada

Para o que não tem mais nada
A calma do louco ensinou
A dizer razão (Sede do Peixe)

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