Indicações literárias #13: convidados de Outubro

1. Alexandre Faria indica Cosmologia do Impreciso, de Oswaldo Martins. É leitura obrigatória em tempos de conservadorismo na sociedade. Atos recentes como o veto, no processo seletivo do CAP-COLUNI/UFV, do livro Violetas e pavões, de Dalton Trevisan,  ou a interrupção da transmissão de uma conferência de Jorge Coli na ABL, são evidências, entre outras, de que a sociedade está predisposta a reações arbitrárias e antidemocráticas de censura e intolerância. O livro de Oswaldo Martins é uma reflexão poética e profunda sobre os valores constituídos na cultura nacional, tanto através de enraizamentos populares quanto de heranças da tradição europeia. Um avanço no pensamento pedagógico do país requer o enfrentamento de questões levantadas por poemas como os que são reunidos na série “Arte da deseducação”, por exemplo, presentes no livro Cosmologia do impreciso.

2. Ana Mancini indica A arte de produzir efeitos sem causa, de Lourenço Mutarelli. “Li algumas obras do Mutarelli esse ano, inclusive ‘O cheiro do ralo’ – que é bastante conhecido em sua versão pro cinema. Mas ‘A arte de produzir…’ foi o que mais me impressionou: a leitura é fácil, corrida, mas a “digestão” nem tanto. A obsessão gráfica e meio mística em que mergulha o personagem principal, repulsivo e cativante ao mesmo tempo, é muito envolvente – e pesada.”

3. André Monteiro indica o livro Roberto Corrêa dos Santos: o poema contemporâneo enquanto o “ensaio teórico-crítico experimental”, de Alberto Pucheu, “poeta e professor de Teoria da Literatura da UFRJ, mergulha de cabeça e coração no trabalho crítico de Roberto Corrêa dos Santos, cartografando o modo como nele se desdobra uma “crítica em campo expandido”, marcada pelo agenciamento de uma “zona de rangência” entre o ensaio e a ficção através da qual se concretizam a prática e o conceito do “poema contemporâneo enquanto o ensaio teórico-crítico experimental”.Um livro recomendável, não apenas aos acadêmicos de letras e afins, mas a todos que desejam arejar o pensamento e experimentar suas potências.”

4. Alice Sant’Anna indica Golpe de ar, de Fabrício Corsaletti. “Além de ser um dos melhores poetas atuais, Corsaletti também é ótimo prosador. O livro trata de um período em  que o escritor passou em Buenos Aires, entre encontros e desencontros.”

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5. Edimilson de Almeida Pereira indica O Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro/século XX, de Lélia Coelho Frota: “[o livro] é resultado de uma pesquisa ímpar no cenário da ciências sociais no Brasil. Realizado ao longo de décadas, com intensa entrega afetiva e rigorosa aplicação metodológica, este livro explicita a complexidade da criação visual de fonte popular em nosso país. Ao analisar alguns dos fundamentos dessas fontes, a pesquisadora demonstra que o diálogo entre as diferentes referências estéticas (populares, eruditas, modernas, pós-modernas, etc), quando ultrapassa os esquematismos ideológicos, nos remete ao centro de nossas mais importantes demandas individuais e coletivas.

6. Marcos Visnadi indica Cantos de Estima, de Júlia de Carvalho Hansen. “Já está esgotado, mas pode ser lido nesse link. É um livro alegre e amoroso, que puxa o tapete de quem achar que isso é algum demérito. “O estômago é o novo coração e o coração é o novo leão.” Não conheço nada mais bonito na poesia brasileira contemporânea.”

 

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