Indicações literárias #10: colaboradores de Julho

Sua universidade ainda está de greve – e se não está em alguma – sua escola provavelmente está de férias. Então aproveite para ler um (ou mais) dos livros indicados pelos nossos colaboradores de julho. Os mais atentos poderão achar estranho o fato de haver a foto do Joca e não a capa de seu livro, mas acontece que não achamos em lugar nenhum alguma imagem decente. Enfim, boa leitura! E em tempo: Feliz Dia do Escritor!

1. Sérgio Tavares indica “Histórias de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar: “Se Borges escreveu o conto “O Livro de Areia”, sobre um amaldiçoado exemplar sem princípio ou fim, Cortázar escreveu uma coletânea cujas histórias se transformam cada vez que aberta. “Histórias de Cronópios e de Famas” contém pequenas narrativas mágicas, povoadas de seres fabulosos, e dotadas de um horror sutil que se infiltra no cotidiano, como o relógio de pulso com dentinhos sugando o tempo de quem o usa ou a poltrona onde se senta para morrer. Esplendoroso!”

2. Raquel Gaio indica “Bolor” de Augusto Abelaira. “O livro do escritor português Augusto Abelaira se caracteriza como um pseudo-romance , embora se estruture como um diário. A obra é uma escritura metaficcional que subverte qualquer linearidade literária, a estrutura do diário é completamente rompida: no diário não escreve somente um personagem, mas todos; há capítulos sem datas; cenas e datas que se repetem, etc. Desconstrução e transitoriedade são palavras-chaves que refletem a obra e o mundo em que ela está inserida: identidades fragmentadas, rasuradas, intercambiáveis (os personagens escrevem como se fossem o outro), relações problemáticas e indefinidas. Resumindo, “Bolor” é uma obra ousada e singular.

3. Janara Soares indica “Eva Luna”, de Isabel Allende. “É lindo. A personagem principal é composta por tanta poesia, é dona de tanta imaginação, que transcende o romance e cria vida própria. Lido entre Rio de Janeiro e Bahia e absurdamente recomendado.”

4. William Soares indica “Pinocchio”, de Carlo Collodi. “Um livro que me persegue. A busca de Pinocchio pode ser comparada com as buscas quotidianas e de existência de muitos de nós. Mas, para mim, a transformação é o que menos interessa (e aqui me lembro do belo poema “Ulisses” de Konstantínos Kaváfis). A busca, o percorrer de um caminho é o que há de mais rico em Pinocchio. Diante da riqueza de sua busca, ao final, a sua transformação pode ser lida como algo até mesmo triste. Além de ser um personagem muito mais interessante enquanto boneco, enquanto atravessa o seu percurso, a sua transformação coincide com a sua perfeita adequação à escola e à sociedade com a qual ele se debateu durante todo o seu percurso. Isso porque ele não se transforma em qualquer menino, mas em um menino burguês, muito menos interessante do que o menino-boneco livre que atravessa o universo camponês italiano em suas aventuras. Uma pena, também, que muitas pessoas tenham como referência apenas o personagem de Disney, que não atinge a profundidade, nem as ricas descrições do trabalho original de Collodi.

5. Kaio Bruno indica “Estatutos do Homem”, de Thiago de Mello. “Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. É o livro que li e que tem muita influência sobre o modo até de viver para mim.”

6. Lulina indica “Eletroencefalodrama”, de Joca Reiners Terron. “É de 1998, foi o primeiro livro do autor e impressiona pela quantidade de poemas maravilhosos.”

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