Escoliose #7 – uma coluna

PARALELEPÍPEDOS, GRINGOS E LITERATURA

(E quase não sai uma coluna sobre a FLIP)

por Tassiana Frank

São 20:33, e o Otávio me pergunta: Cadê a sua coluna? Pra ser bem sincera, eu esqueci. Após viajar doze horas, me lembrei que havia esquecido de digitar o que está retumbando em minha cabeça, vívido de lembranças.

Fazia frio na noite em que cheguei.  A ponte estava repleta de gente passando e eu pensei: Verríssimo? Ubaldo Ribeiro? McEwan? Será que seria assim tão facil esbarrar com um deles atravessando a ponte, ou na banquinha de acarajé ou até na cachaçaria? Eram pensamentos e anseios. Mas o que importava era ver aquela cidade exalando literatura.

Chegando à  tenda da livraria, me perdi entre coleções e títulos. É bem verdade que os preços se igualavam ao de qualquer livraria normal, o que é uma pena, já que esperamos um preço mais acessivel. E também, esperamos edições especiais e lançamentos exclusivos, coisas que nós, viciados em novidades literárias, esperamos em um evento como esse. Escuto minha amiga me chamando ao fundo: “é para dar uma entrevista para Record!”

Havia uma repórter entrevistando diferentes pessoas de diferentes profissões e idades, sobre a importância da literatura impressa nos dias de hoje em que e-books e downloads de livros surgem em maior escala a cada dia. Nesse momento, me surgiu um sorriso ao rosto e uma vontade de dizer aos berros: “é exatamente isso que estamos tentando resgatar com a ‘Um Conto’!” Mas foi com calma e um bocado de timidez que expliquei cuidadosamente que a Um Conto é mais do que um desejo nosso de viver de literatura, é a tentativa de resgatar no leitor o prazer de segurar um papel, sentir a textura e o cheiro e lembrar que existe um novo escritor bem perto de você. Fazer com que esse “produto” chegue até você pelo preço de custo, cuja única finalidade é renovar a literatura

Se você leu essa coluna, deve estar se perguntando: “e a Flip?” E o maior encontro de literatura do pais, com maior quantidade de gringos por metro quadrado. Você vai esbarrar com o McEwan? Não, ele é inacessível. Mas você vai gastar muito dinheiro, escorregar no chão de paralelepipedo, se deliciar no centro histórico, ver shows incríveis, instalações maravilhosas e conhecer novos artistas. Sendo assim, o que mais posso dizer? Que meu destino será o mesmo em julho de 2013.

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2 comentários em “Escoliose #7 – uma coluna

  1. André disse:

    embora tenha chegado tarde… o post mais lúcido sobre a FLIP, aqui:

    http://ricardo-domeneck.blogspot.com/2012/07/as-perguntas-que-miguel-conde-curador.html

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